terça-feira, 4 de agosto de 2015
Os abutres e as hienas
O facto de o Benfica ser um clube de matriz democrática, onde os adeptos têm liberdade para se expressar sem que o presidente lhes mova processos em tribunal ou organize AG para os expulsar, tem destas coisas.
Na sequência de uma pré-época com resultados – chamemos-lhes assim – "tradicionais", os adeptos do Benfica reagiram "tradicionalmente", ora expressando legítima preocupação, o que é natural, ora exigindo a cabeça do presidente, o que também é muito típico, sobretudo em vésperas de eleições.
Estes últimos são tão típicos que até estão tipificados no léxico encarnado: são os conhecidos abutres. Os abutres, que ao longe até podem parecer águias a um olho mais desatento, são na verdade uma espécie que se alimenta do fracasso de outras. Ei-los aí a rondar, torcendo por um desaire do Benfica que lhes permita colher benefícios que garantam a sua subsistência.
Quanto a estes, estamos mais ou menos descansados, porquanto a direcção que está hoje no poleiro está longe de estar moribunda. Mesmo na desagradável eventualidade de a águia terminar esta época sem trazer nenhum troféu para o ninho, cremos que Vieira tem obra feita e crédito suficiente para aguentar nas urnas essa frustração episódica.
Mas eis que vemos juntar-se aos abutres aquilo a que vamos aqui chamar hienas. As hienas, que não são aves como nós, pertencem ao clube dos quadrúpedes. As hienas também torcem pelo nosso insucesso. Num determinado momento, elas e os abutres parecem da mesma equipa: o Anti-Benfica. Conseguimos ouvir as suas risadas em momentos de infelicidade. Se formos a ver bem, é o único momento em que conseguem rir-se, já que parecem incapazes de caçar sozinhas o que quer que seja, preferindo sempre os restos de outros animais, ou roubar qualquer coisa a outros.
Ela aí estão já a rir-se, não vá dar-se o caso de não terem mais oportunidades. As hienas, que na ausência de carninha sobrevivem comendo os excrementos dos outros, exultam com a perspectiva de um insucesso benfiquista que as deixe sozinhas com os do Norte na luta pelas benesses de Proença.
É por isto que devemos dar ouvidos a Salvio: "Temos de estar mais unidos do que nunca." A tarefa de Vitória (suceder ao mais titulado treinador de sempre) já é suficientemente complicada, não queiram ser os próprios benfiquistas a complicar ainda mais o caminho.
sexta-feira, 5 de junho de 2015
Toque a reunir!
"Escrevo este post sob os escombros da notícia que me apanhou de surpresa. Talvez não o devesse fazer, porque há uma poeirada que não me deixa ver tudo com clareza e, sobretudo, dói-me a cabeça dos tijolos que me caíram em cima, mas estou vivo e apetece-me gemer."
Eu tinha começado este post assim, ontem. Ainda escrevi mais umas coisas, mas estava a ser realmente doloroso e acabei por interromper o sofrimento. Entretanto, a poeira assentou, foram-se conhecendo mais alguns pormenores... e fui percebendo, mesmo atordoado, que tinha razão desde o início: eu não devia ter feito o post.
Abandonei a tese do "erro histórico", que foi a minha primeira leitura dos acontecimentos. Percebi mais tarde que não demos um "tiro no pé" e que fomos, antes, alvo de um golpe que veio sendo urdido há algum tempo.
É um golpe que me faz recordar o defeso de 93. Lembro-me bem da euforia lagarta que tenho cristalizada na memória com um sorriso imbecil de Sousa Cintra. Lembro-me das rescisões que iam chegando por fax e da cerejinha no topo do bolo que foi a chegada de um patrocínio às camisolas chamado Faxe. E lembro-me sobretudo de como isso acabou: com um 3-6 em Alvalade que nos valeu o título. Riu melhor quem riu no fim. A justiça poética que sempre acompanha as forças do bem.
Hoje sinto-me restabelecido do choque. Hoje sinto-me ansioso por que a época comece logo para lhes esfregar a Supertaça na cara de modo limpinho, limpinho. Hoje sinto-me com uma vontade louca de me alistar e combater o inimigo histórico. Se não fosse sócio, estaria neste momento a inscrever-me.
Não era vivo em 1908, mas sinto isto também como uma reedição da rapina desse ano, quando os endinheirados viscondes nos levaram quase duas mãos cheias de jogadores. Um século depois, vejam como são as coisas: somos o maior clube do mundo, e eles estão à beira de acabar. Ainda haveremos de participar num peditório para que não acabem nunca, porque nos fazem rir muito.
Vieira foi traído por alguém que era dos nossos e que quis passar-se para o outro lado. Quando isso acontece, não há culpas próprias que se possam apontar. Não perderei um minuto a disparar para dentro, apoiarei o novo treinador quem quer que ele seja. Fui dos maiores fãs do cabrão que nos treinava, mas isto agora é uma guerra santa. Haveremos de crucificar Jesus com pregos feitos do metal da Supertaça, da Taça da Liga, da Taça de Portugal, do troféu de campeão e de qualquer caneco europeu. Até da Taça de Honra! Porque isto agora é uma questão de honra.
Como disse, apoiarei o novo treinador quem quer que ele seja. Mas o enredo deste filme está mesmo a pedir que seja Marco Silva. Julgo que não preciso de explicar porquê. A justiça poética haveria de gostar da escolha. Ah, e espero que Vieira deixe para mais tarde aquela ideia de desinvestir no plantel, é preciso armamento para a batalha. Carrega, Benfica!
segunda-feira, 11 de maio de 2015
Ainda não ganhámos este título, já começámos a ganhar o próximo
Que o treinador do FC Porto é naturalmente pouco inteligente e que ainda não sabe onde está são duas coisas que já todos tínhamos percebido. Nestas suas últimas declarações, no entanto, confessamos, não percebemos se deram rédea solta ao burro ou se o albardaram à vontade do dono.
Seja de quem for a autoria do discurso – da estupidez natural do espanhol ou da estrutura que costuma soprar-lhe ao ouvido –, é o primeiro erro azul e branco da época 2015/16.
Isto porque comprar uma guerra com Jesus é meio caminho andado para que o técnico encarnado faça questão de humilhar o seu opositor e consiga levar os seus pupilos a fazer-lhe a vontade.
Todos nos recordamos do diferendo entre JJ e Manuel Machado e dos placards implacáveis que resultaram disso. As coisas nunca mais foram as mesmas desde que fizeram as pazes. E quando Tim Sherwood, sem se dar conta, deu vontade de dançar a Jesus? Fez abanar as redes 3 vezes em White Hart Lane. O meu optimismo é mais forte quando o amigo dos motocars da Reboleira vai picado para dentro de campo.
Portanto, agradeçamos esta sobredose de motivação com que presentearam o nosso treinador, saibamos ser gratos por lhe terem dado mais um motivo para aceitar a renovação de contrato que Vieira lhe vai propor, e regozijemo-nos com a tareia que já está a ser sonhada na sua cabeça. Carrega, Jesus!
domingo, 10 de maio de 2015
Eu quero um cortejo de autocarros benfiquistas carregados de troféus no Marquês!
No mesmo dia em que ficámos a 3 pontos do Marquês, a equipa de vólei foi aos Açores arrancar um tricampeonato inédito no historial do clube, que somou à Taça de Portugal e à Supertaça, um triplete que só não foi maior porque a Taça Challenge não quis vir.
E eu fiquei a pensar se uma época destas não merecia que o grupo de trabalho exibisse os troféus conquistados em passeio de autocarro até ao Marquês.
Também a equipa de basquetebol já trouxe esta época para o Museu a Taça de Portugal, a Supertaça, a Taça da Liga e o Troféu António Pratas, encontrando-se na luta pelo título.
Quem também ainda está na luta pelo título é a equipa de futsal, tendo já conquistado a Taça de Portugal.
No hóquei, é o campeonato nacional que já está no papo, enquanto a Taça de Portugal aguarda para ver no que dá a final-four. E não se pode esquecer o troféu europeu das miúdas!
Já para não falar na malta do atletismo, com Nélson Évora à cabeça, e de outras modalidades com menos visibilidade.
Não seria bonito se este ano houvesse um cortejo de autocarros no Marquês, com outras modalidades exibindo os troféus conquistados, seguindo atrás da equipa principal de futebol?
Não constituiria um estímulo suplementar para os atletas de outras modalidades saberem que, se fizessem uma boa época, teriam direito àquele glorioso banho de multidão?
Eu quero um cortejo de autocarros benfiquistas carregados de troféus no Marquês!
quarta-feira, 22 de abril de 2015
Mais uma fuga para Vigo
A propósito dos 6-1 de ontem, de repente, voltou a falar-se de Vigo. Queria só recordar que esse desaire do século passado (foi em 1999) aconteceu no período mais negro da história benfiquista (o mandato de Vale e Azevedo). Não foi obra do "melhor plantel dos últimos 30 anos" num mandato do "melhor presidente do mundo". Era só isto. Obrigado.
terça-feira, 21 de abril de 2015
Que se passa com as refeições de Rui Gomes da Silva?
Esteve mal Rui Gomes da Silva ao permitir que Guilherme Aguiar lançasse uma bomba de suspeição sobre o Benfica no último Dia Seguinte. Como é que o vice-presidente do SLB se deixa ser visto a almoçar na companhia de Pedro Proença, persona non grata no seio da família benfiquista, um dos árbitros que mais prejudicaram o clube? Temos duas caras, senhor ministro? Publicamente, critica-se o homem, para benfiquista ver, e na vida privada convive-se com o monstro? Só faltou o estalo à saída. E porque é que a estrutura do FCP mantém RGS debaixo de olho, sabendo sempre onde e com quem almoça, seja na Foz, seja no Alfoz? À direcção do Benfica não diz ele com quem se senta à mesa. E se foi o próprio Proença que informou os azuis e brancos do teor do almoço de Alcochete? O que pretende e para onde corre Rui Gomes da Silva?
Declaração de interesses: confesso que me encanita a ânsia por protagonismo deste nosso dirigente, que tem palco na TV, tem palco no Facebook (à la Bruno de Carvalho), sempre parecendo que está em pré-campanha eleitoral para o seu semi-inconfessado sonho de um dia ser presidente do SLB.
quarta-feira, 1 de abril de 2015
Agora fiquei preocupado
Eu só espero que esta venda do Danilo, feita "fora do horário de expediente" (convenhamos que o timing da transferência não é comum), não signifique o encaixe antecipado de verba que virá ainda a tempo de patrocinar os prémios a triplicar, os quinhentinhos, as viagens ao Brasil, a fruta para dormir e todo o tipo de esquemas que permitam a remontada azul e branca, num momento em que a "estrutura" já percebeu que não pode contar com o espanhol para o sucesso.
Oxalá sejam só problemas de liquidez para pagar salários e honrar compromissos com a banca, e não um balão de oxigénio para o tal polvo que respira com dificuldade. Ninguém espera que eles, depois de terem apostado as fichas todas, assistam à possibilidade de terminarem a época com zero títulos sem esbracejarem um bocadinho.
quinta-feira, 26 de março de 2015
5 anos depois, a modernidade
Aqui há uns anos, decidiram os sócios do Benfica, em Assembleia Geral, blindar os estatutos do clube. A medida, promovida pela direcção de então, foi apelidada de antidemocrática pelos críticos dessa mesma direcção.
Não tive essa opinião na altura e não a tenho hoje. Se nos lembrarmos desses tempos, vemos que a oposição do Benfica desses dias era encabeçada pelo homem que criou o canal televisivo do FCP e pelo antigo presidente da Casa do FCP do Luxemburgo. Os estatutos permitiam que personagens destas tentassem capitalizar o descontentamento benfiquista, tomando o poder de forma democrática com consequências que, felizmente, só podemos imaginar.
Por isto, a blindagem dos estatutos não me pareceu antidemocrática, muito pelo contrário, pareceu-me muito pró-benfiquista, cortando as vazas de garotões, de oportunistas com segundas intenções e até de benfiquistas que durante décadas se esqueciam de pagar quotas e que subitamente ganhavam interesse pelo clube.
No FCP, nada disto se passa. Há pelo menos uma trintena de anos que ninguém ousa concorrer contra Pinto da Costa. Nem portistas nem, muito menos, submarinos de outros clubes interessados em minar um rival por dentro.
Então, o que justifica esta notícia? A resposta só pode estar no nosso post anterior.
segunda-feira, 16 de março de 2015
A norte, tudo de novo
"É público que há uma campanha ruidosa contra os árbitros promovida por um clube português. O objetivo é claro e assumido, condicionar e coagir o seu trabalho na fase final da liga."
Estas são palavras de há não muito tempo do director de comunicação do Benfica que vêm na sequência de outro alerta de um vice-presidente do clube para a mesma situação. Significa isto que o Benfica está a reagir no mesmo tabuleiro a quem se vê forçado a jogar fora de campo para tentar corrigir o que não corre tão bem no relvado. Aplaudimos daqui que também os nossos engravatados metam o pé à bola.
Esta campanha é óbvia e notória, como óbvio e notório é o seu promotor e principal interessado. O Sporting faz apenas coro, movido pelo ódio que nos tem, sem cuidar que canta a cantiga do outro (letra e música). Petições ao Presidente da República são apenas folclore. Os erros de arbitragem que são comuns em todos os campos do país, beneficiando ora uns, ora outros, prejudicando ora outros, ora uns, são transformados na narrativa do colinho ao líder. Repare-se, por exemplo, que, quando o FCP vence em Penafiel com 3 golos irregulares, não se fala em colinho para ninguém. Quando o V. Guimarães vê 3 vermelhos na mesma partida, não se fala em colinho para ninguém. Mas veja-se o que se diz quando um jogador do Arouca é naturalmente expulso por não ter argumentos para deter a avalancha ofensiva do Benfica, que já vencia por 2-1:

O recorte é de uma primeira página recente do JN, mais um dos pontas-de-lança da campanha. Repararam como subtilmente se tenta passar a ideia de que Jonas e Lima garantiram a vitória só depois de o Arouca ficar com dez? É o refrão da tal cantiga. Se insistirem mais um bocadinho, não sairá do ouvido das pessoas. Dizem que o Guimarães terminou com 8, facto noticioso mais raro? Não dizem.
E há quanto tempo não aparecia Secretário na imprensa portuguesa? Para aí desde o Caso Paula, em 1997, não? Apareceu no outro dia. Para dizer o quê? Para fazer uma participação especial na tal cantiga de embalar. Como bem diz Secretário, "está à vista de todos".E este vídeo do Árbitro de Bancada deixa à vista de todos a justeza das expulsões que têm acontecido até ao momento nos jogos do Benfica.
Mas...
Mas há um pormenor que não está à vista de todos: o FCP estará realmente a fazer isto para condicionar a arbitragem e daí tirar dividendos?Quem acompanha o futebol português há 30 anos sabe que não é assim que o FCP condiciona a arbitragem e tira dividendos. O que se estará a passar de diferente? O que se passa de novo a norte? Já lá vamos. Antes, recordemos o início da época:
Lembras-te, Amílcar?
Ainda não tinha terminado a época 2013-14, já o Benfica via sair Matic em Janeiro e hipotecara Rodrigo e André Gomes. Ainda não tinha começado a época 2014-15, e mais heróis do triplete diziam adeus à Luz. Como Cardozo. Como Siqueira. Como Garay. Como Markovic. Como Oblak. E como Enzo. Como Enzo, não. Como Enzo, sim. Não, como Enzo, ainda não. Era o tempo do "estão a desmantelar o campeão nacional!", lembras-te, Amílcar?Como se não bastasse, os reforços não tinham nomes sonantes, não faziam sonhar ninguém. Como se não bastasse, não pegaram de estaca, precisaram de se adaptar, de perceber o que Jesus pretendia deles, de se entrosar com companheiros que estavam a sentir as mesmas dificuldades. Como se não bastasse, os jogos de pré-época não entusiasmaram ninguém. Lembras-te, Amílcar?
"Não entusiasmaram ninguém"... não é bem assim. Os nossos rivais ficaram entusiasmadíssimos. O Sporting até nos ganhou uma Taça de Honra e chegou a pensar que tinha conseguido o melhor tempo dos treinos e que isso lhe permitia partir da pole position. Lembras-te, Amílcar?
Mas a candidatura de Alvalade era aquilo a que o primeiro-ministro chamaria um conto de crianças. Só os inocentes acreditavam. Quem se encheu de fundadas esperanças foi o clube que foi buscar um técnico que era campeão do mundo e lhe deu o melhor plantel dos últimos 30 anos. Gastaram-se rios de dinheiro. Craques da liga espanhola, com nome feito, bem reflectido no valor do passe. Mesclados com alvos desviados do Benfica, que até nesse particular se via enfraquecido, tendo de partir para segundas escolhas. Não havia dúvidas, este campeonato seria um passeio para o FC Porto. Lembras-te, Amílcar?
Abriu-se o melão
Pois bem, depois de aberto, o melão viria a ter um sabor completamente diferente do que se esperava. O Benfica vem agarrado ao 1.º lugar há 21 jornadas consecutivas. E com números que suplantam os melhores recordes de toda a era Jesus. E este ano não há outras taças a lesionar ou a desgastar jogadores, é um foco quase absoluto no campeonato – no bicampeonato.E o FCP? Pois é, para quem pensava que eram favas contadas, é afinal um grande melão. O FCP apostou todas as fichas nesta época, gastou o que tinha e o que não tinha, fez engenharias financeiras para que não houvesse desculpas: quem Lopetegui quis, Lopetegui teve. E o resultado? Ainda não acabou, mas perspectivas realistas apontam para um grande risco de o all-in redundar em mãos a abanar, zero títulos, bancarrota.
E, se isso acontecer, de quem é a culpa?
Parece-me que é aqui que entra a campanha. A culpa é dos malditos árbitros que levaram o Benfica ao colo.E esta desculpa serve para quê?
Serve para virar o bico ao prego. Serve para calar a revolta de quem há muito tempo não está habituado a ficar duas épocas seguidas a seco.Depois daquele ano de Paulo Fonseca, que foi mais vítima do que culpado (Manuel José disse que só lhe deram tremoços), ficou a nu que a estrutura do FCP já não é o que era. Se neste ano foram buscar um campeão do mundo, lhe dão marisco e conseguem fazer ainda pior que na época anterior, está aberta a brecha por onde entrará um dado novo no futebol português dos últimos 30 anos: a luta pela presidência do FCP.
Porque este FCP alimentou durante 30 anos um polvo que, aparentemente, não tem sabido renovar os seus tentáculos. Porque há gente que se habituou a um estilo de vida que nos últimos tempos tem tido dificuldade em manter. Seja o árbitro corrupto, seja o dirigente cúmplice, seja o facilitador de negócios, seja o fornecedor, seja a guarda pretoriana, seja o mero adepto que costumava ir mais vezes festejar para os Aliados, todos aqueles que eram habituais beneficiários notam a diferença dos tempos actuais. Todos eles estão desejosos de recuperar o que perderam. Todos eles estão dispostos a acreditar no primeiro arrivista que lhes prometer o regresso a esses tempos. E essa é uma corrida que começará assim que esta época terminar como os benfiquistas esperam que termine.
Mas, então, porque é que o FCP não faz como nos últimos 30 anos?
No meu entender, porque a BTV cortou a ração ao polvo.Repare-se que não se está a dizer que o polvo agora é do Benfica. O Benfica não tem nenhum polvo. O polvo que existe ainda é azul e branco, mas está moribundo e já não consegue dar colo a uns ao mesmo tempo que afunda outros. O melhor plantel do FCP dos últimos anos não é o de Jackson e Brahimi. É o que contou com os Calheiros, os Guímaros, os Fortunatos, os Olegários e os Proenças. Desde que a BTV passou a explorar os direitos televisivos do Benfica, deixou de haver orçamento para os seus sucedâneos. Se nos 2 primeiros anos de Sport TV sem SLB conseguirmos o bicampeonato que nos foge há décadas, não terei dúvidas em relacionar uma coisa com a outra.
Nos tempos que correm, os jogadores e o que os treinadores conseguem extrair deles têm mais influência do que dantes, porque aquela teia de esquemas que viciava tudo – dos árbitros que inclinam campos, das bolas frias, dos calendários à medida, dos chitos, dos jogadores emprestados, dos treinadores que são ex-jogadores que abrem pernas – definha, sufoca e, agora, estrebucha com a campanha do colinho. O polvo ainda não morreu, mas já respira com dificuldade.
sábado, 14 de fevereiro de 2015
O desespero
O Sporting ficou muito indignado com uma tarja que viu num jogo de futsal. A tarja era tão grave, tão grave, que o Sporting reagiu imediatamente. "Imediatamente" no dia imediatamente a seguir.
Não quero aqui discutir se a tarja era ou não era condenável. Se tinha antecedentes ou não tinha antecedentes. Era uma tarja, não era uma arma de destruição massiva. O Sporting fez a figura de um radical islâmico a protestar contra os cartoons de um jornal qualquer. Definitivamente, SCP não são as iniciais de "Somos Charlie. Ponto".
Foi perceptível para todos a razão de ser do comunicado do Sporting. O golo de Jardel caiu-lhes muito mal. Durante 7 minutos estiveram no Céu e de repetente estatelaram-se no fundo de um fosso. Falando em "estatelar-se no fundo do fosso", esse foi o incidente mais grave nessa noite. Um adepto feriu-se com gravidade, na sequência de comportamentos menos correctos de pessoas que dizem que sabem estar, combinados com debilidades estruturais de um recinto que não oferece condições de segurança a quem quer assistir aos espectáculos aí organizados. Podia ter morrido. E não foi a primeira vez que isto aconteceu. E em nenhuma das vezes se pode sacudir a água do capote para cima de uma claque visitante. Havia, pois, que desviar as atenções da frustração de um resultado desportivo e das responsabilidades por mais um acidente grave naquele estádio.
O Sporting parecia aquela namorada que, numa discussão, vai buscar um detalhe que aconteceu há 3 meses. A propósito de um jogo de futebol disputado em Alvalade num domingo, foi buscar algo que se passou num jogo de futsal disputado na Luz num sábado. E exige que o estádio do futebol onde não se passou nada seja fechado por algo que aconteceu no pavilhão do futsal.
O Benfica respondeu inicialmente como qualquer pessoa com dois dedos de testa responde àquela histérica a que aludimos no parágrafo anterior – encolheu os ombros e suspirou: "Acabou o blackout, voltou o folclore." A resposta até foi muito leve, mas o Sporting entendeu-a como very light.
Pronto, caiu o Carmo e a Trindade (presume-se que ao fundo de um fosso). A resposta foi tão bem dada, que lhes saiu um muito adulto "Ai, é? Nunca mais te falo!". E dá-se o corte de relações.
A resposta que Vieira dá é demolidora. Inaugurando mais uma casa do clube (não inaugurando mais um post no Facebook), dá uma coça de todo o tamanho ao jovem da Juve Leo que ocupou a tribuna. Vale a pena ouvir o rolo compressor, a partir do minuto 4:
A propósito de tribuna, note-se que ainda João Gabriel não tinha sido obrigado a falar em fandango, ainda Jardel não lhes tinha dado um banho de realidade, já o corte de relações institucionais se verificava no camarote presidencial de Alvalade, com o tratamento indigno dado à comitiva benfiquista, que levou mesmo alguns dirigentes leoninos com mais vergonha na cara a pedirem desculpa pelo comportamento que eram obrigados a assumir, mas que era a política do clube.
E, para se darem conta do desespero desta gente, Vermelho Directo sabe, de fonte segura da própria RTP, que o Sporting andou toda a semana a pressionar a estação pública para exibir imagens da tarja do very light. Até à porta do anterior presidente, Alberto da Ponte, foram bater!
Percebe-se assim melhor porque é que a RTP foi entrevistar o filho de Rui Mendes e não quis saber da opinião das famílias de todos os adeptos que já caíram de estruturas de Alvalade, seja de fossos, seja de varandins.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Ainda Bernardo Silva
Tenho lido e ouvido muitas opiniões sobre a venda de Bernardo Silva ao Mónaco. Umas mais racionais e lúcidas, poucas, outras mais absurdas, a grande maioria. Todos aqueles que opinam que o “miúdo” foi mal vendido nunca tiveram responsabilidades de gestão de nenhuma pequena empresa. Já nem sequer me atrevo a dizer média empresa. Na verdade, ninguém sabe o que será o Bernardo Silva no futuro. Pode ser um jogador a valer 50 milhões? Pode, mas também pode ser um jogador a valer 3 ou 4, ou não valer nada. O Benfica fez o que tinha a fazer, transferiu o risco do futuro para o Mónaco e, entretanto, arrecadou quase 16 milhões de euros.
Nélson Oliveira é um hoje um jogador “arrumado”, já passou por vários clubes e nesses vários clubes provou muito pouco. Lembro-me de há 3 anos o Benfica ter recusado 6 milhões por ele. Nunca mais os vai ver, tudo em nome de um futuro que não se confirmou. O mesmo poderia dizer de Roderick, André Carvalhas ou Leandro Pimenta…
Venham mais 15 milhões por João Cancelo ou Ivan Cavaleiro, e todos os que não percebem a razão destas vendas o melhor é continuarem a trabalhar por conta de outrem e nunca abrirem uma empresa. Este conselho ainda é gratuito.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
Não sei quê na Roménia
Felizmente, o que diz respeito ao clube de Vale e Azevedo não tem nada a ver com o Benfica.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
Enzo e outras cartas fora do baralho
Enzo foi-se embora. É a primeira vez, nos últimos anos, que uma pedra influente deixa o Benfica sem que se ouça uma choradeira apocalíptica generalizada. Parece que já toda a gente percebeu que são os jogadores que fazem força para sair, atraídos por contratos com que o Benfica não pode rivalizar ou por ligas mais competitivas. Parece também que já toda a gente confia na capacidade da equipa técnica que potenciou estes artistas para encontrar outros Manéis para o seu lugar. Parece-me importante sublinhar isto.
O clube estica a corda até onde pode. Nuns casos obriga a que alguém accione a cláusula de rescisão, noutros tenta prolongar o vínculo desportivo até onde é possível. No caso de Enzo, é óbvio que o Valência nunca quis bater a cláusula, senão já tinha o jogador desde Agosto.
O Benfica debateu-se este tempo todo com o assédio do Valência a uma das suas jóias^; com a pressão da comunicação social que durante meses vendeu o jogador às suas audiências; com os recados de Espírito Santo; com o finca-pé de Enzo, que não só rendeu menos desportivamente como amuou nos jogos com o Paços e o Sp. Braga e até se furtou ao convívio de Natal. Vieira tem razão quando diz que não vale a pena ficar com jogadores contrariados. Mesmo assim, o Benfica consegue embolsar 25 milhões por um jogador que em Fevereiro terá 29 anos + 5 milhões por objectivos, ao mesmo tempo que contou com o seu contributo para chegar a Janeiro na liderança do campeonato com 6 pontos de vantagem. Só com muito má vontade se pode dizer que foi um mau acto de gestão.
Recordemos outros "maus actos de gestão", outras cartas fora do baralho que delapidaram o clube:
Fábio Coentrão
Era uma porcaria quando foi comprado.
Andou emprestado.
Quando saiu, era o melhor lateral esquerdo do mundo.
Hoje joga no Real Madrid quando Marcelo não pode.
Javi García
Ainda me lembro do escândalo que foi quando se pagou 6 milhões por ele. Era um paquete do Real Madrid. Pegou de estaca na equipa e foi determinante para muitas conquistas. Foi outro escândalo quando saiu por apenas 20 milhões. Não calçou no City e foi para a Rússia por causa de um treinador que se lembra bem do que o viu fazer de águia ao peito. Nem sei se joga, a liga não tem visibilidade. Era o fim do mundo quando saiu. Já nem me recordo de quem entrou para o seu lugar, porque o mundo acabou nesse dia.
Ezequiel Garay
Outro exemplo do refugo do Real Madrid.
Outro exemplo de um dispensado que soube reencontrar na Luz o caminho para a selecção do seu país.
Outro exemplo de um vínculo desportivo estendido até à última.
Outro exemplo de um encaixe financeiro superior ao que seria expectável, conforme tivemos ocasião de explicar na altura.
Outro exemplo de um jogador de eleição que fez força para ir para um degredo dourado.
Teria o Benfica sido eliminado da Champions se tivesse contado com Garay, Javi e Wistsel? Eles foram.
Jan Oblak
Mais um que era o melhor que nos tinha acontecido desde que o melhor não nos acontecia.
Mais um de que o clube não abriu mão facilmente.
Mais um que se deixou seduzir pelo dinheiro e pelo fascínio de uma liga mais mediática.
Mais um que forçou a barra para sair.
Mais um que não valia a pena manter contrariado.
Mais um que foi uma mais-valia financeira brutal.
Mais um que não era ninguém antes de ter chegado e voltou a ser ninguém depois de ter partido.
Mais um que foi substituído por alguém que não deixou que tivéssemos saudades dele.
Rodrigo Moreno
Outro que quando chegou não passava de uma promessa.
Outro que chegou por um preço que mereceu muitas críticas.
Outro que teve nos empréstimos uma das etapas da sua formação.
Outro que veio tapar o lugar aos jovens portugueses.
Outro que demorou a confirmar o seu potencial.
Outro que rendeu uma batelada de dinheiro.
Outro cuja saída foi muito criticada.
Outro que hoje ganha melhor, joga numa liga melhor, mas se afastou do rendimento que a águia lhe dava.
Lazar Markovic
Eis-nos perante mais um exemplo da perfídia dos fundos, essas entidades sinistras que nos permitiram contar com jogadores com a qualidade duvidosa de um Markovic, que Sá Pinto garantia que não tinha estaleca para jogar no campeonato português, e que depois são inflacionados por treinadores que não sabem tirar o melhor partido deles, a ponto de vir um clube das ligas de topo do Velho Continente trocá-los por um contentor de libras e depois não conseguir fazer nada com eles. Acabe-se com os fundos e devolva-se-nos o rapaz!
Oscar Cardozo
Um mal-amado. Um jogador que muitos queriam que tivesse sido vendido logo no ano em que chegou. Ou no seguinte. Ou no seguinte. Ou no seguinte. Ou no seguinte. Em vez disso, esta gente que não sabe o que é o Benfica fez dele o melhor marcador estrangeiro de sempre a actuar de águia ao peito. Ele também fez a sua força para sair. O clube soltou-o aos 31 anos a troco de uma mão cheia de milhões. Uma idiotice, desmantelando um plantel campeão. Agora não se sabe quando é que o Benfica voltará a ter o melhor ataque do campeonato. Ele também já veio dizer que foi uma idiotice ter ido para onde foi.
E podíamos continuar nisto, não fosse o caso de ser véspera de ano novo e todos termos mais que fazer. Bom ano para todos.
O clube estica a corda até onde pode. Nuns casos obriga a que alguém accione a cláusula de rescisão, noutros tenta prolongar o vínculo desportivo até onde é possível. No caso de Enzo, é óbvio que o Valência nunca quis bater a cláusula, senão já tinha o jogador desde Agosto.
O Benfica debateu-se este tempo todo com o assédio do Valência a uma das suas jóias^; com a pressão da comunicação social que durante meses vendeu o jogador às suas audiências; com os recados de Espírito Santo; com o finca-pé de Enzo, que não só rendeu menos desportivamente como amuou nos jogos com o Paços e o Sp. Braga e até se furtou ao convívio de Natal. Vieira tem razão quando diz que não vale a pena ficar com jogadores contrariados. Mesmo assim, o Benfica consegue embolsar 25 milhões por um jogador que em Fevereiro terá 29 anos + 5 milhões por objectivos, ao mesmo tempo que contou com o seu contributo para chegar a Janeiro na liderança do campeonato com 6 pontos de vantagem. Só com muito má vontade se pode dizer que foi um mau acto de gestão.
Recordemos outros "maus actos de gestão", outras cartas fora do baralho que delapidaram o clube:
Fábio Coentrão
Era uma porcaria quando foi comprado.
Andou emprestado.
Quando saiu, era o melhor lateral esquerdo do mundo.
Hoje joga no Real Madrid quando Marcelo não pode.
Javi García
Ainda me lembro do escândalo que foi quando se pagou 6 milhões por ele. Era um paquete do Real Madrid. Pegou de estaca na equipa e foi determinante para muitas conquistas. Foi outro escândalo quando saiu por apenas 20 milhões. Não calçou no City e foi para a Rússia por causa de um treinador que se lembra bem do que o viu fazer de águia ao peito. Nem sei se joga, a liga não tem visibilidade. Era o fim do mundo quando saiu. Já nem me recordo de quem entrou para o seu lugar, porque o mundo acabou nesse dia.
Ezequiel Garay
Outro exemplo do refugo do Real Madrid.
Outro exemplo de um dispensado que soube reencontrar na Luz o caminho para a selecção do seu país.
Outro exemplo de um vínculo desportivo estendido até à última.
Outro exemplo de um encaixe financeiro superior ao que seria expectável, conforme tivemos ocasião de explicar na altura.
Outro exemplo de um jogador de eleição que fez força para ir para um degredo dourado.
Teria o Benfica sido eliminado da Champions se tivesse contado com Garay, Javi e Wistsel? Eles foram.
Jan Oblak
Mais um que era o melhor que nos tinha acontecido desde que o melhor não nos acontecia.
Mais um de que o clube não abriu mão facilmente.
Mais um que se deixou seduzir pelo dinheiro e pelo fascínio de uma liga mais mediática.
Mais um que forçou a barra para sair.
Mais um que não valia a pena manter contrariado.
Mais um que foi uma mais-valia financeira brutal.
Mais um que não era ninguém antes de ter chegado e voltou a ser ninguém depois de ter partido.
Mais um que foi substituído por alguém que não deixou que tivéssemos saudades dele.
Rodrigo Moreno
Outro que quando chegou não passava de uma promessa.
Outro que chegou por um preço que mereceu muitas críticas.
Outro que teve nos empréstimos uma das etapas da sua formação.
Outro que veio tapar o lugar aos jovens portugueses.
Outro que demorou a confirmar o seu potencial.
Outro que rendeu uma batelada de dinheiro.
Outro cuja saída foi muito criticada.
Outro que hoje ganha melhor, joga numa liga melhor, mas se afastou do rendimento que a águia lhe dava.
Lazar Markovic
Eis-nos perante mais um exemplo da perfídia dos fundos, essas entidades sinistras que nos permitiram contar com jogadores com a qualidade duvidosa de um Markovic, que Sá Pinto garantia que não tinha estaleca para jogar no campeonato português, e que depois são inflacionados por treinadores que não sabem tirar o melhor partido deles, a ponto de vir um clube das ligas de topo do Velho Continente trocá-los por um contentor de libras e depois não conseguir fazer nada com eles. Acabe-se com os fundos e devolva-se-nos o rapaz!
Oscar Cardozo
Um mal-amado. Um jogador que muitos queriam que tivesse sido vendido logo no ano em que chegou. Ou no seguinte. Ou no seguinte. Ou no seguinte. Ou no seguinte. Em vez disso, esta gente que não sabe o que é o Benfica fez dele o melhor marcador estrangeiro de sempre a actuar de águia ao peito. Ele também fez a sua força para sair. O clube soltou-o aos 31 anos a troco de uma mão cheia de milhões. Uma idiotice, desmantelando um plantel campeão. Agora não se sabe quando é que o Benfica voltará a ter o melhor ataque do campeonato. Ele também já veio dizer que foi uma idiotice ter ido para onde foi.
E podíamos continuar nisto, não fosse o caso de ser véspera de ano novo e todos termos mais que fazer. Bom ano para todos.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
"Cala-te, António"
Oliveira Superstar ontem no Trio d'Ataque, no rescaldo da saborosa vitória do Benfica no Dragão, dizendo algumas evidências que alguns de nós continuam a não querer ver. Nomeadamente esta:
"Com este plantel e Jesus a treinar, o FCP tinha 10 ou 12 pontos de avanço."Obviamente, isto é um exagero, porque nem o plantel do Benfica é tão mau como o pintam (é apenas mais fraco que outros que já tivemos) nem a plantilla azul e branca é tão boa como os milhões que deram por ela fazem crer. O que não é exagero nenhum é que Jesus vale 10 ou 12 pontos mais que o novato espanhol, que, além de não ter provas dadas a este nível, não sabe a que terra veio parar. Pior: vem com a típica arrogância castelhana, convencido de que chegou à parvónia, e depois é desfeiteado por padeirinhas de Aljubarrota sem perceber como.
"Depois do que vi no relvado, estou convencido de que o FCP será campeão. Mais do que nunca."Estas declarações do comandante da invencível armada espanhola são música para os nossos ouvidos. Significam que não anotou a matrícula do camião que o atropelou e que vai ter muita dificuldade em ultrapassar-nos. A parte má é que fez alguns portistas perceberem que se enganaram no casting.
Dito isto, importa renovar com Jesus o quanto antes, que o que uns não querem estão outros desejando.
PS – Uma palavrinha para o sorteio da Champions. Basileia? Excelente para as nossas cores: ou são eliminados por um penetra que não pertence à segunda fase da prova, ou continuam por lá entretidos mais uns tempos, permitindo-nos ampliar a vantagem que já temos no campeonato, até vir um tubarão a sério e os meter no seu lugar com requintes de malvadez. Eles que escolham, que nós riremos de qualquer das maneiras.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
Benfica a. C./d. C.
Não sei se era a expectativa que era baixa, mas achei muito digna a despedida encarnada da Europa.
Assim que saiu a convocatória para a recepção à equipa mais forte do grupo, magotes de entendidos precipitaram-se em direcção às casas de apostas confiando as suas economias aos alemães.
De facto, César, Benito, Bebé, Lizandro, Cristante, Nélson Oliveira, João Teixeira, até Pizzi, Artur, Derley, Ola John e Talisca, faziam lembrar muito a equipa que na pré-época coleccionou maus resultados.
A cumprir calendário, em poupanças para o clássico, frente a um adversário de uma das ligas de topo da Europa e que vinha defender o 1.º lugar do grupo, poderia antever-se uma reedição da Emirates Cup de Agosto.
Porém, não foi nada disso que aconteceu. Os proscritos estiveram melhor do que a generalidade dos zandingas poderia prever, pertenceram-lhes as melhores oportunidades do encontro e só não chegaram à vitória por um bocadinho assim.
O que mudou de Agosto para Dezembro? Na minha opinião, uns mesitos de tirocínio com o mestre Jesus. Aí terá residido a diferença de desempenho. Estes atletas ilustram na perfeição a diferença entre um momento a. C. e uma era d. C. – antes do Catedrático e depois do Catedrático.
E é este o treinador (o detentor de todos os troféus nacionais e que por acaso não perde em casa, para o campeonato, há 40 jogos) que continua a merecer desconfianças de muitos benfiquistas na hora da renovação do contrato. Perdoem-lhes, que não sabem o que fazem.
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
Operação Marquês
Eliminados da Europa, apetece-nos repetir tudo o que dissemos em 2 de Outubro. Bate tudo certo menos a parte do "clube que vai em 7º lugar" – pois agora vai em 8º. Não vamos repetir tudo, vamos só repetir esta parte:
Tenhamos noção das nossas limitações e concentremo-nos no que deve ser o nosso grande objectivo desta época: a conquista deste campeonato é mais do que o 34.º – muito provavelmente, ganhar este campeonato significa caminho aberto para conquistar consecutivamente muitos dos próximos.
Europa? Vocês não vêem a comunicação social? Só dá Operação Marquês.
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
Quaresma tremido?
Corre à boca pequena, em certos meandros, a informação de que Ricardo Quaresma terá um dia apertado o gasganete a Lopetegui e que terá sido por isso que foi encostado.
Mas os maus resultados da equipa "impuseram" o Mustang ao espanhol. Com as costas aquecidas pela estrutura, o 7 do FCP sentiu-se à vontade para protagonizar na Amoreira um bate-boca com Brahimi a propósito da marcação de um livre, desrespeitando o que estava no guião daquelas bolas paradas.
Estamos curiosos para ver a reacção do condicionado treinador azul e branco a mais este episódio de indisciplina. Quem vencerá desta vez?
sábado, 1 de novembro de 2014
Chegámos a um ponto em que as pessoas acham estranho que se apliquem as leis nos jogos do Benfica
Normalmente, nos jogos em que o Benfica participa, as leis de jogo não são para cumprir, daí que se tenha assistido com perplexidade a uma decisão acertada de um árbitro auxiliar, o que causou revolta entre os responsáveis do Rio Ave e em todos os comentadores que torciam para que o Benfica perdesse pontos.
Por exemplo, quando um jogador agride outro com um pontapé na cara, dizem as leis que deve ver o cartão vermelho. Salvo se o jogador agredido for do Benfica, como aconteceu em Braga na passada jornada. O mesmo em relação aos lances de grande penalidade: se forem na área do Benfica, nem precisa de haver falta. Se forem na área do adversário, marca-se falta atacante ao benfiquista, como aconteceu com Aimar naquela vez em Coimbra. E aqueles em que o guarda-redes que defende o penálti sai da linha de baliza antes de a bola partir? Não interessa quantas vezes isso aconteça, o importante é que sejam os outros a levantar a taça.
Nos jogos em que o FCP participa, as leis de jogo também não são consideradas válidas. Ficam ao nível das escutas telefónicas. Também por exemplo, os penáltis podem acontecer fora da área, espaço em que os guarda-redes podem defender com a mão.
Nos do Sporting também estamos habituados a que Montero possa marcar sempre em offside.
Daí que, quando uma arbitragem decide aplicar realmente o que dizem as leis de jogo numa partida do Benfica, a imprensa apelide isso de "lance polémico", como o faz hoje o Correio da Manhã:
E foi a este ponto que o futebol português chegou: as pessoas acham estranho que uma decisão da arbitragem beneficie o Benfica, mesmo que se limite a cumprir o que dizem as regras do jogo.
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
A única claque legalizada do Benfica

Parece que o presidente do Benfica recebeu uma claque. Gesto simpático do ditador autista que governa o clube de forma pouco democrática, como lhe costumam chamar alguns dos que foram recebidos.
Esta claque (ou grupo excursionista, não se percebe bem) tem o pomposo nome de Associação de Adeptos Benfiquistas. Podia ter o nome que os seus elementos achassem por bem que tivesse, porque vivemos num país livre, mas é uma designação extremamente infeliz. É infeliz porque tenta passar a ideia de que é uma instituição representativa de todos os adeptos benfiquistas, quando a única instituição representativa de todos os adeptos benfiquistas já existe e se chama, precisamente, Sport Lisboa e Benfica.
Aliás, o nome é tão infeliz, que estará na origem do desaconselhamento que "actuais e antigos dirigentes manifestaram" (estamos a citar o post da claque no Facebook) sobre a audiência a conceder pelo presidente. Apesar do conselho em contrário, Vieira fez questão de receber os sócios do clube para lhes dizer que os recebia nessa qualidade, e não na qualidade de representantes de benfiquistas, porque o único representante de benfiquistas naquela sala era ele, eleito pelos sócios.
Ao que nos dizem, foi notório o desagrado de Vieira quando vem a saber que os sócios recebidos foram escrever para o Facebook que a AABE é que tinha sido recebida. Não perceberam nada do que se lhes disse. Estavam certos aqueles que desaconselharam a audiência.
E para que era a audiência, afinal? Parece que os membros da claque não gostam muito de ir para as filas, como fazem todos aqueles que querem um bilhete para ir ver o Benfica, e querem um sistema que lhes dê prioridade na aquisição de ingressos em que a procura é superior à oferta. É uma claque fina, com número de pessoa colectiva e número de identificação na Segurança Social, a única claque legalizada do Benfica, não está para se misturar com a populaça.
Quer um sistema de pontos em que há sócios de primeira, que têm prioridade, e sócios de segunda, que têm de esperar por outro ano qualquer para ver o Benfica numa final. Estão a ver aquele miúdo que decidiu ser benfiquista na primeira vez em que foi a um estádio e viu o Benfica levantar uma taça? Esqueçam, com a Associação de Adeptos Benfiquistas, esses momentos são só para clientes habituais. O desgraçado que mora em Bragança e não vai tantas vezes à Luz como gostaria também está tramado: se já vê pouco o Glorioso ao vivo, ainda terá menos oportunidades, porque a AABE não lhe dá os pontos para isso. Somos milhões mas, para eles, o que é justo é o Benfica ser apoiado sempre pelos mesmos, que devem ser os que já têm mais poder económico. Bela maneira de defender os interesses dos adeptos benfiquistas.
Façam-nos um favor: mudem o nome à vossa claque e deixem de envergonhar o Benfica e os seus adeptos.
Subscrever:
Mensagens (Atom)























