sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Onde é que estavas em 14 de Agosto de 2014?

14 de Agosto de 2014. Foi nesse dia que Vieira deu uma entrevista à BTV muito aguardada pela nação benfiquista. A entrevista foi elogiada na sua generalidade, sublinhou-se o facto de a estação televisiva oficial do regime ter feito questões incómodas, e as respostas de alguma forma tranquilizaram o universo encarnado. Todo? Não. Uma pequena parte resiste sempre.

O Ontem vi-te no Estádio da Luz, por exemplo, não se deixou convencer com nada do que foi dito. Neste post – E o presidente falou – dedicam 4.041 palavras ao assunto. São 23.059 caracteres (com espaços) espalhados por 13 páginas Word! Desafio-vos a fazer o mesmo exercício para verem que não estou a exagerar:

Nessas 608 linhas, nada ficou por dizer. Porque havia coisas que não se podia deixar passar em claro. Tudo dissecado ao pormenor. Sim, porque o Ontem não nasceu ontem, é o último bastião do benfiquismo mais puro e não iria deixar passar nada que violasse a Constiuição do clube que Cosme Damião fundou. Pois bem, dessas 4.401 palavras – quatro mil quatrocentas e uma palavras –, nem uma – NEM UMA – contesta o que Vieira diz aqui entre o minuto 28:57 e o 29:50:

Para quem está a ver isto num computador sem som ou num dispositivo manhoso, vamos transcrever:

HÉLDER CONDUTO – Pergunto-lhe sobre as eleições da Liga: O Benfica tem tido um papel activo, nos últimos tempos, na Liga de Clubes... Quem é que o Benfica vai apoiar nesta eleição da Liga que vai ser repetida, digamos assim?

LUÍS FILIPE VIEIRA – Eu acho que... (não sei se vai ser repetida, ainda não se sabe). O que se passa na Liga é preocupante para o futebol português. Acho que tem de haver entendimento entre o Benfica, o Porto e o Sporting, não tenho dúvidas nenhumas, sobre o próprio candidato (mas não só sobre o próprio candidato), e depois estender a outros clubes, de maneira que haja o máximo de consenso no próximo presidente... nas próximas eleições, pronto, para não haver esta guerrilha que existe no futebol. Que definitivamente as pessoas deixem o poder de parte. Isto é uma indústria.. aliás, das principais indústrias que este país tem, e não merece minimamente estar a ser tratada como está.

Portanto, há dois meses, o presidente do Benfica anuncia o que deseja que aconteça para a defesa dos interesses do clube – um entendimento alargado ao máximo de clubes possível, que inclua FCP e SCP – e ninguém se mostra chocado.

Dois meses depois, acontece a vontade do presidente do Benfica: é alcançado um acordo que engloba 27 clubes, entre os quais SLB e FCP (o SCP preferiu não ser tido nem achado), e cai o Carmo e a Trindade porque Vieira almoçou no mesmo sítio que Pinto da Costa e é provável que tenham comido do mesmo leitão. Lá voltou o histerismo daqueles que garantiam que o Benfica nunca iria explorar por sua conta os direitos televisivos, porque a renovação com a Olivedesportos já estava preparada.

Se não tivesse acontecido como ele tinha dito que queria que acontecesse, estava tudo agora a confrontá-lo com essas declarações e a dizer que tinha sido comido.

O que é que preferiam? Que o clube se alheasse dos destinos da Liga e deixasse outros definir o rumo do futebol português, como fez Bruno de Carvalho? Que deixasse que fosse suspenso um campeonato que lideramos com 4 pontos de vantagem?