quarta-feira, 23 de julho de 2014

Os videntes


De onde vem esta histeria por o Benfica não ter o plantel fechado a tempo de disputar a Taça de Honra?

Antes de comprar a sério, antes de saber de que titulares da época passada iria ver-se privado, o Benfica fez algumas apostas low-cost e deu oportunidades a alguns miúdos. Serviu-se da fase inicial da pré-temporada para melhor avaliar o seu desempenho e para perceber que posições precisam mesmo de um investimento maior. Não é também para isto que servem as pré-temporadas?

"Descobriu" um João Teixeira, terá descartado os "consagrados" Bernardo Silva, João Cancelo e Ivan Cavaleiro. Recolheu boas indicações de um Talisca ou de um César, de um Derley ou de um Benito, torceu o nariz a um Luís Felipe.

Se não fossem as críticas dos blogs, o Benfica nunca perceberia que lhe falta guarda-redes, um lateral, um 6, um avançado, um etcetera-esquerdo...

Agora, estamos certos, o foco das contratações estará mais apontado para naquilo que são as reais necessidades da equipa, e os jogadores que vierem serão sem qualquer margem de erro e para as posições identificadas pelo treinador e pelo Novo Geração Benfica.

Partimos em desvantagem porque, ao contrário dos rivais, este treinador não sabe o caminho para o título. Partimos em desvantagem porque Rui Costa e todo o departamento de scouting que soube montar o plantel do triplete se mudaram para Valência. Partimos em desvantagem porque FCP e Sporting não trabalham ainda com plantéis de 30 homens, já têm tudo escolhido e já estão na fase das rotinas de jogo. Partimos em desvantagem porque os espanhóis do FCP são muito caros e porque os estrangeiros do Sporting são muito baratos. Partimos em desvantagem porque há blogs que já estão a prever a desgraça como previram na época passada que não iriam três vezes ao Marquês. Partimos em desvantagem porque os jogadores que ainda não saíram já saíram e porque o mercado que ainda não fechou já fechou.

Hoje os jornais falam em Romero e Eliseu. Que estupidez um vice-campeão do mundo quando podíamos ir buscar o guarda-redes que foi despromovido com o Osasuna. O Eliseu está velho, gordo, não foi ao Mundial e, pior de tudo, é português. Bebé também é português, é mais novo e não tem excesso de peso, mas não deve prestar para nada, pois nem uma equipa que não vai à Europa o quer.

Voltaremos a este assunto em 31 de Agosto se não nos parecer que, nessa altura, o Benfica seja o principal candidato ao título nacional.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Ainda o negócio Garay





Ontem, o insuspeito José Marinho publicou na sua página de Facebook um post muito interessante sobre o negócio Garay que vinha ao encontro do que adiantáramos aqui em primeira mão há quase um mês, logo em cima do acontecimento: era totó quem pensava que o Benfica tinha feito um mau negócio com os russos.



Nesse post (que entretanto foi estranhamente removido) José Marinho começa por desabafar que uma coisa que o irrita na net é que a malta não sabe nada e vem para as redes sociais dizer que tem fontes, isto e aquilo. Não é o nosso caso – nós podemos não saber de nada, nem de jornalismo nem de futebol, mas temos acesso a uma fonte privilegiada (e involuntária, já agora!) que esteve na origem da criação deste blog. Achámos que era um desperdício irmos sabendo das coisas e não as partilharmos com o resto dos benfiquistas. Assumimos o Vermelho Directo como uma espécie de serviço público. Vivemos no enorme dilema de termos vontade de revelar a fonte para que se dê crédito ao que aqui vamos contando e, ao mesmo tempo, não o querermos fazer para não matarmos a galinha dos ovos de ouro. Acreditem, iriam rir-se se soubessem como é que a informação chega até nós. :)

Continuava Marinho, no tal post que estamos a citar de memória, que ele, como qualquer bom jornalista, não se pronunciou sobre o assunto Garay até ir às suas fontes e saber a verdade do negócio. Essa verdade tinha sido apurada pela sua investigação e era enfim partilhada com todos.

Marinho explicava que o Benfica tinha chegado a acordo com o Zenit para a transferência de Garay logo em Janeiro. tendo os russos ficado com a responsabilidade de pagar o salário de Garay entre Janeiro e Junho e ainda os prémios de vitórias que o Benfica tinha no contrato.

Segundo ele, aqui estavam 4 milhões de euros que deviam ser responsabilidade do Benfica e que deixaram de ser, juntando-se aos 2.4 milhões de euros oficialmente declarados, perfazendo já 6,4 milhões de euros para quem só tinha 40% do passe. Ainda somou os 4 milhões de encargos com o ano de contrato que faltava. Contas feitas, dava o mesmo que o Vermelho Directo adiantara há quase um mês: o negócio foi melhor para o Benfica do que se a cláusula tivesse sido accionada.

Marinho chamou a isto engenharia financeira criativa, descartou qualquer trafulhice feita ao Real e elogiou ainda o esforço que o Benfica fez para poder contar desportivamente com o jogador durante mais tempo. O post – que era de investigação e anunciava toda a verdade – era tão elogioso para Vieira, que alguém tratou de o remover tão cedo quanto possível.

Daqui, do Vermelho Directo, agradecemos ao José Marinho duas coisas: a partilha (ainda que temporária) dos pormenores do negócio e a confirmação de que ler o Vermelho Directo é saber de certas coisas com uma certa antecedência. :)

quinta-feira, 10 de julho de 2014

A história do estágio na Suíça


Já temos uma ideia do que se passou com o estágio da Suíça. Segundo o que conseguimos apurar, havia de facto a quase já tradicional proposta da Gamasport para a deslocação do Benfica a terras helvéticas, à semelhança do que aconteceu, por exemplo, no ano passado.

O Benfica disse que ia na condição de o cachet ser pago até um determinado dia, porque parece que o empresário italiano que gere aquilo não se terá portado muito bem da última vez.

Como o Benfica sabe da importância que tem para essa empresa, fazendo-a facturar como nenhum outro clube à conta dos emigrantes portugueses, assumiu que as suas exigências seriam satisfeitas e foi preparando a máquina de marketing.

Mas chegou-se ao fim do prazo e o dinheiro não apareceu, pelo que o Benfica se viu naturalmente forçado a negar a sua presença.

Isto é tão simples, que não se percebe como é que o clube não faz transpirar esta informação cá para fora, para pelo menos a frustração dos emigrantes ter um destinatário.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Está tudo doido?

Dá-se uma voltinha pelas redes sociais e não se acredita:
"Estão a vender a equipa toda!"... "Estamos a vender a preço de saldo"... "É o BES que está a impor estas vendas!"

Porque o Vermelho Directo sabe que assim não é, cumpre-nos desmistificar estas ideias.

A primeira ideia que é preciso desmistificar é que a crise do BES não está a impor porra nenhuma. O Benfica tem a sua situação financeira controlada, e os seus compromissos com a banca mantêm-se inalterados, quer esta viva dias tranquilos, quer esteja com a corda na garganta. Quem tem um crédito à habitação feito no BES sabe que o banco não lhes está a exigir que pague até ao final do mês tudo o que resta pagar da casa nova.

A segunda ideia que não corresponde à verdade é que o Benfica está a vender a preço de saldo. Até agora foram vendidos três jogadores – Garay, Markovic e Oblak. São todos casos diferentes, mas o que têm em comum é que os valores encaixados correspondem aos valores das cláusulas de rescisão (já lá vamos).

E esta inflexibilidade do Benfica na mesa das negociações mostra que não há interesse do clube em desfazer-se de jogadores considerados importantes para os objectivos desportivos da equipa. Portanto, a ideia de que o Benfica está a desmantelar a equipa campeã também não é verdadeira. O que acontece é que não somos os únicos a reconhecer a valia desses jogadores, que conquistaram quase tudo na época passada e que se tornaram muito apetecidos no mercado. Quando alguém se mostra disposto a accionar a cláusula de rescisão, só a vontade do jogador pode travar o negócio, e isso não tem acontecido.

Garay – Como tivemos oportunidade de explicar num post anterior, apesar de o jogador ter apenas mais um ano de contrato, o Benfica não facilitou em nada as negociações aos russos. Os números vindos a público percebem-se como forma de contornar a parte do Real Madrid. O Benfica nunca teria alinhado no esquema dos russos se não lucrasse mais do que com a cláusula de rescisão, podem ter a certeza.

Markovic – Toda a gente percebe a preponderância neste negócio do fundo que detinha o jogador. O clube funciona apenas como barriga de aluguer, sabe que o bebé não é bem seu, que já está vendido. E, como em tudo na vida, manda quem tem o dinheiro, e o Benfica recebeu a parte a que tinha direito. Podemos questionar, sim, se o clube deve participar neste tipo de negócios que lhe vai permitindo contar com o concurso de jogadores como Markovic ou Ramires. Quando corre bem, lamentamos encaixar menos do que podíamos; quando corre menos bem (como no caso de Ola John), ninguém lamenta que não se tenha perdido tudo.

Oblak – Uma pena. Logo agora que tínhamos descoberto um guarda-redes de que todos gostávamos, ficamos sem ele. Mas o facto de não se ter apresentado no Seixal e de ter sido visto a cumprir exames médicos em Madrid mostra bem de que lado está o interesse na transferência. Vieira tem razão quando diz que não ficaremos com jogadores contrariados. Este não se deixou contrariar.

É possível que mais jogadores de que gostamos deixem a Luz neste Verão. Mas parem de dizer disparates: não estamos a desmantelar um campeão, nem a vender em saldo, nem a cumprir ordens do BES. É o mercado, estúpido!

sexta-feira, 4 de julho de 2014

É cansativo...


Depois da gloriosa época passada, os jogadores benfiquistas estão naturalmente muito valorizados. Facto.

Os empresários vêem nisto uma oportunidade de facturar em grande, mostrando-se muito activos no mercado. É natural que assim seja.

Os jogadores por vezes nem têm especial vontade de sair, mas os números com que são confrontados dão-lhes a volta à cabeça, como é exemplo o contrato que o Zenit ofereceu a Garay. É outro facto.

Tudo isto é normal e legítimo. O que não é legítimo mas infelizmente se vai tornando normal é que órgãos de comunicação social, que dizem cumprir na sociedade a missão de informar o público, se prestem afinal ao triste papel de desinformar toda a gente, vergando-se aos interesses de quem manda intoxicar a opinião pública com informação que não é verdadeira e tem claramente segundas intenções.

É o caso, por exemplo, do jornal A Bola, que hoje põe Gaitán a caminho do Atlético de Madrid, quando antes ia para o Manchester United e, antes disso, para o Galatasaray. Para não falar de Oblak, que às segundas, quartas e sextas vai para Madrid, e às terças, quintas e sábados é dado como certo em Valência.

A reacção de Enzo Pérez, no Brasil, à imprensa portuguesa também tem isto na sua génese. Desagradado com a especulação que os jornais fazem em torno do seu futuro, publicando lixo que ele sabe ser mentira, o jogador não encontrou melhor resposta que mandá-los à merda. Quem o pode censurar?

O Benfica é neste momento uma traineira carregadinha de bom peixe atacada, de todos os lados, por dezenas de gaivotas que só querem beneficiar do trabalho de outros. Tudo bem, é da sua natureza, nem se estranha. O que é lamentável é que alguém se dê ao trabalho de ainda embrulhar esse peixe em papel de jornal. A ASAE permite isto?

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Acredite quem quiser


O que se sabe da história:
  1. Em 2008, o Real comprou Garay ao Racing Santander por 10 milhões.
  2. Em 2011, o Benfica consegue o concurso de um dos melhores centrais da sua história por 5,5 milhões de euros. O Real Madrid assegura uma fatia de 50% numa futura transferência.
  3. No mesmo ano, o Benfica aliena 10% do passe do argentino ao Benfica Stars Fund por 1,175 milhões.
  4. Em 2014, o Benfica chega a acordo com o Zenit para a transferência de El Nero por 6 milhões de euros.
  5. A partilha faz-se do seguinte modo: 3 milhões para o Real Madrid (correspondentes aos seus 50%);  2,4 milhões para o Benfica (por 40%); 600 mil euros para o Benfica Stars Fund (por 10%).
Contas feitas
Garay dá, assim, um prejuízo de 1,5 milhões ao Real Madrid (comprou por 10, vendeu por 5,5 + 3); um prejuízo de 575 mil euros ao fundo (investiu 1,175 milhões, recuperou 600 mil); e um prejuízo de 1,925 milhões ao Benfica (comprou por 5,5, vendeu por 1,175 + 2,4).

Esta é a verdade oficial. Acredita nela quem quiser. A outra não se pode contar. Mas é totó quem pensar que o Benfica fez um mau negócio com os russos. Não teria sido tão bom se a cláusula de rescisão tivesse sido batida.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Palmas para Vieira


Sim, senhor, foi bonito ver. Sem se sujar, sem nunca se envolver no lodaçal que constituiu esta disputa eleitoral pelos órgãos sociais da Liga de Clubes, o presidente do Benfica soube levar com mestria a água ao seu moinho. Goste-se ou não do homem, há que lhe tirar o chapéu nesta.

O lado negro do futebol português, que vinha tentando há meses destituir Mário Figueiredo, apostava forte neste acto eleitoral para recuperar o poder. Jogando em vários tabuleiros, as forças do mal foram apresentando várias candidaturas no sentido de perceber qual poderia ser a que reunia mais apoios. Isto deu-lhes a ideia de que seriam favas contadas... e facilitaram.

Mário Figueiredo, o presidente que havia afrontado a todo-poderosa Olivedesportos, liderava a única lista que não tinha como objectivo defender os interesses do submundo que se alimenta das receitas da actividade empresarial de Joaquim Oliveira. Seria o candidato óbvio para o Benfica apoiar, mas nunca se ouviu da Luz uma manifestação de declarado apoio. Não seria com vinagre que se iriam apanhar as moscas.

Enquanto isso, Seara ia-se perfilando como o trunfo mais forte dos salteadores do poder. O homem que janta com Joaquim Oliveira e Pinto da Costa nas noites em que o Benfica perde tinha conseguido aglutinar em torno de si gente séria como Rui Rangel, o juiz dos calotes, e o apreciador de uísque Filipe Soares Franco. Bruno de Carvalho ficou doido com este saco de gatos. O presidente do Sporting, que não consegue vender a sua banha da cobra a ninguém, pois toda a gente sabe que o SCP tem tanta força como um Sporting Farense, confundiu Seara e Rangel com o Benfica e denunciou um pacto secreto deste com o rival do Norte.

Rangel, que anda desesperado por um tacho que o ajude a pagar as dívidas que tem, não gostou de ser informado do que se passava no jantar de Seara com Pinto da Costa no Sheraton do Porto e encetou uma fuga para a frente: avançou com a candidatura de Seara e feriu-a de morte. O juiz não fica bem na fotografia. Nem no papel de anjinho, nem no de despeitado. (Pensar que recolheu 3 mil votos para presidir ao maior clube do mundo é assustador.)

Chega-se ao fim do prazo para entregar as listas com a candidatura duplicada de Seara, a do vice-rei da Madeira e a do presidente cessante. É altura de entrar em campo um ex-jogador do Benfica que dá razão às velhas palavras de Vieira que falavam na importância de ter lugares na Liga. O presidente da  Mesa da Assembleia Geral, antigo defesa encarnado, desarma as candidaturas do adversário com limpeza e faz a assistência para o golo de Mário Figueiredo, que só tem de empurrar a bola. É golo do Benfica.

Depois do triplo triunfo no relvado, Vieira, com muita classe, bate Pinto da Costa num terreno que este costumava dominar. Quer isto dizer que está definitivamente aberto um novo ciclo no futebol português?

Será?

Castigo a aplicar ao espanhol acaba com a carreira do guarda-redes.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Seara, onde o trigo e o joio estão juntos


"Sabonete". Esta foi a alcunha que Fernando Seara ganhou quando andava pelos corredores de São Bento. Não por ser peça fundamental nalguma operação "Mãos Limpas", mas por ser extremamente escorregadio, alguém que nunca se consegue apanhar numa situação de compromisso e que sempre tenta estar bem com Deus e com o Diabo. Sempre em contacto com a porcaria, mas aparecendo como algo bem cheiroso.

Esta cegada da sua candidatura à presidência da Liga de Clubes ilustra bem o apodo que lhe deram no Parlamento. Primeiro compõe, ao seu estilo, uma lista que é um saco que contém gatos como Rui Rangel e Filipe Soares Franco sob o mote "unir e credibilizar", e depois – ao mesmo tempo que o ingénuo juiz que queria presidir o Benfica entregava a lista conjunta (também falta o juiz explicar por que carga d'água não foi o líder a entregar a candidatura) – acertava com Pinto da Costa, no Sheraton do Porto, os nomes finais que deixaram a "personalidade que tentou pôr os seus interesses pessoais à frente dos objectivos comuns" à beira de um ataque de nervos.

Contamos trazer novos episódios desta novela, mas as cenas dos últimos capítulos são deliciosas: